Mesmo com salários quitados, servidores mantêm perspectiva de greve geral
Data da postagem: 12 Ago 2015
Assembleia na próxima semana deve definir por paralisação dos funcionários públicos do Estado
Antecipada para segunda-feira, a integralização do pagamento do funcionalismo não será suficiente para impedir uma paralisação das atividades ligadas ao governo do Estado nas próximas semanas. Uma assembleia geral marcada para a próxima terça-feira, dia 18, deve definir os termos de uma greve de "advertência", segundo entidades sindicais. Até lá, inclusive a "operação-padrão" de servidores da Polícia Civil e da Brigada Militar será mantida.
— Nós entendemos e acreditamos que a complementação do pagamento hoje, antes das datas anunciadas, foi uma primeira vitória do movimento. A pressão surtiu efeito, mas não vamos esgotar a pauta — disse o presidente da federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do RS (Fessergs), Sérgio Augusto Jury Arnoud.
Na manhã desta terça-feira, o governo anunciou a quitação dos salários atrasados de julho — prevista para ocorrer em até duas etapas, nos dias 13 e 25 de agosto —, mas não descartou um novo atraso nos vencimentos de agosto. Para completar, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, disse que a definição só deve vir aos "45 do segundo tempo".
Durante toda esta semana, funcionários públicos realizam atos em diferentes cidades do Estado. Assembleias regionais em Caxias do Sul, nesta segunda-feira, Passo Fundo e Cruz Alta, na terça-feira, e Ijuí, na quinta-feira, discutirão a paralisação.
No entendimento de Arnoud, a greve é necessária porque o serviço público "continua ameaçado". Ele acredita que os servidores decidirão por uma paralisação com duração determinada, o que deve ser definido na assembleia geral.
Para Claudio Augustin, que preside o Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindisepe), a mobilização é crucial para pressionar o governo. Ele lembra que o pagamento integral dos servidores foi determinado pela Justiça — que expediu um mandado de segurança em junho —, mas descumprido pelo poder público.
— Podemos entrar com várias ações judiciais, mas a questão não é judicial, já que eles (Justiça) não estão garantindo o cumprimento das decisões — defende.
O Sindisepe acredita, ainda, que soluções para a crise financeira dependem de articulações políticas, não dos cortes. Para o sindicato, programas contra a sonegação de impostos, redução de benefícios fiscais e a cobrança da dívida ativa, além de questionar a legalidade da dívida com a União, evitariam a penalização dos servidores.
Operação-padrão da BM e da Civil continua
Se por um lado delegados da Polícia Civil e oficiais da Brigada Militar decidiram encerrar a operação-padrão que vinham mantendo, escrivães, inspetores, investigadores da Civil e servidores de nível médio da BM e dos Bombeiros decidiram manter a restrição dos serviços à população.
Para Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Agentes da Polícia Civil (Ugeirm-Sindicato), a quitação não resolve os problemas enfrentados pela categoria:
— Não é porque pagou salário atrasado 12 dias que vamos voltar a trabalhar normalmente. Tem que pagar no próximo mês também, tem que pagar horas-extras e tem que dar condições de trabalho. Chega de servidor consertando carro e comprando seu fardamento. Vamos trabalhar dentro da legalidade.
Conforme ele, os agentes irão boicotar as operações da Expointer, da Semana Farroupilha e de Verão. Além das condições de trabalho, eles reivindicam a não aprovação da Proposta de emenda à Constituição (PEC) anunciada na terceira fase do ajuste fiscal do governo Sartori que retira a regra do tempo de serviço dos militares.
— Não concordamos que tempo de serviço aumente, porque a qualidade de vida do servidor não será a mesma devido a tudo que ele é exposto diariamente, produtos perigosos e águas poluídas, por exemplo. Se isso acontecer, novas medidas serão tomadas — afirma Ubirajara Ramos, coordenador-geral da Associação de Bombeiros da RS (Abergs).
Já a Associação dos Oficiais da Brigada Militar (Asofbm) e a Associação dos Delegados do RS (Asdep) garantem a retomada dos serviços, ao menos até o pagamento da próxima folha salarial.
— Desde o início, elencamos medidas que terminariam com a integralização dos salários, mas estamos em assembleia permanente. Em caso de novos parcelamentos, a operação será retomada — explicou o presidente da Asofbm, coronel Marcelo Gomes Frota.
Apesar de admitir uma possível retomada das medidas de retração, o representante dos oficiais garante que a BM não cogitam paralisar os serviços _ policiais militares são proibidos de fazer greve.
— Vamos fazer as medidas legais. Até porque temos uma responsabilidade com a população do Rio Grande do Sul — disse Frota.
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/08/mesmo-com-salarios-quitados-servidores-mantem-perspectiva-de-greve-geral-4822471.html
Antecipada para segunda-feira, a integralização do pagamento do funcionalismo não será suficiente para impedir uma paralisação das atividades ligadas ao governo do Estado nas próximas semanas. Uma assembleia geral marcada para a próxima terça-feira, dia 18, deve definir os termos de uma greve de "advertência", segundo entidades sindicais. Até lá, inclusive a "operação-padrão" de servidores da Polícia Civil e da Brigada Militar será mantida.— Nós entendemos e acreditamos que a complementação do pagamento hoje, antes das datas anunciadas, foi uma primeira vitória do movimento. A pressão surtiu efeito, mas não vamos esgotar a pauta — disse o presidente da federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do RS (Fessergs), Sérgio Augusto Jury Arnoud.
Na manhã desta terça-feira, o governo anunciou a quitação dos salários atrasados de julho — prevista para ocorrer em até duas etapas, nos dias 13 e 25 de agosto —, mas não descartou um novo atraso nos vencimentos de agosto. Para completar, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, disse que a definição só deve vir aos "45 do segundo tempo".
Durante toda esta semana, funcionários públicos realizam atos em diferentes cidades do Estado. Assembleias regionais em Caxias do Sul, nesta segunda-feira, Passo Fundo e Cruz Alta, na terça-feira, e Ijuí, na quinta-feira, discutirão a paralisação.
No entendimento de Arnoud, a greve é necessária porque o serviço público "continua ameaçado". Ele acredita que os servidores decidirão por uma paralisação com duração determinada, o que deve ser definido na assembleia geral.
Para Claudio Augustin, que preside o Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindisepe), a mobilização é crucial para pressionar o governo. Ele lembra que o pagamento integral dos servidores foi determinado pela Justiça — que expediu um mandado de segurança em junho —, mas descumprido pelo poder público.
— Podemos entrar com várias ações judiciais, mas a questão não é judicial, já que eles (Justiça) não estão garantindo o cumprimento das decisões — defende.
O Sindisepe acredita, ainda, que soluções para a crise financeira dependem de articulações políticas, não dos cortes. Para o sindicato, programas contra a sonegação de impostos, redução de benefícios fiscais e a cobrança da dívida ativa, além de questionar a legalidade da dívida com a União, evitariam a penalização dos servidores.
Operação-padrão da BM e da Civil continua
Se por um lado delegados da Polícia Civil e oficiais da Brigada Militar decidiram encerrar a operação-padrão que vinham mantendo, escrivães, inspetores, investigadores da Civil e servidores de nível médio da BM e dos Bombeiros decidiram manter a restrição dos serviços à população.
Para Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Agentes da Polícia Civil (Ugeirm-Sindicato), a quitação não resolve os problemas enfrentados pela categoria:
— Não é porque pagou salário atrasado 12 dias que vamos voltar a trabalhar normalmente. Tem que pagar no próximo mês também, tem que pagar horas-extras e tem que dar condições de trabalho. Chega de servidor consertando carro e comprando seu fardamento. Vamos trabalhar dentro da legalidade.
Conforme ele, os agentes irão boicotar as operações da Expointer, da Semana Farroupilha e de Verão. Além das condições de trabalho, eles reivindicam a não aprovação da Proposta de emenda à Constituição (PEC) anunciada na terceira fase do ajuste fiscal do governo Sartori que retira a regra do tempo de serviço dos militares.
— Não concordamos que tempo de serviço aumente, porque a qualidade de vida do servidor não será a mesma devido a tudo que ele é exposto diariamente, produtos perigosos e águas poluídas, por exemplo. Se isso acontecer, novas medidas serão tomadas — afirma Ubirajara Ramos, coordenador-geral da Associação de Bombeiros da RS (Abergs).
Já a Associação dos Oficiais da Brigada Militar (Asofbm) e a Associação dos Delegados do RS (Asdep) garantem a retomada dos serviços, ao menos até o pagamento da próxima folha salarial.
— Desde o início, elencamos medidas que terminariam com a integralização dos salários, mas estamos em assembleia permanente. Em caso de novos parcelamentos, a operação será retomada — explicou o presidente da Asofbm, coronel Marcelo Gomes Frota.
Apesar de admitir uma possível retomada das medidas de retração, o representante dos oficiais garante que a BM não cogitam paralisar os serviços _ policiais militares são proibidos de fazer greve.
— Vamos fazer as medidas legais. Até porque temos uma responsabilidade com a população do Rio Grande do Sul — disse Frota.
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/08/mesmo-com-salarios-quitados-servidores-mantem-perspectiva-de-greve-geral-4822471.html





