24 de março de 2010 | N° 16284
PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA
Pegar ou largar
Não serão os 23% que o magistério queria, mas a pressão do Cpers funcionou: alguma coisa o governo vai oferecer hoje, além de um mínimo igual ou superior ao previsto na lei que instituiu o piso nacional para os professores. O percentual, que deve ficar em torno de 6% sobre o salário básico, virá acompanhado de um complemento para quem ganha abaixo do valor a ser fixado como piso. No conceito do governo, piso é a soma do que o professor recebe no contracheque e não o básico, como entende o Cpers.
Para dar um reajuste linear sem estourar as contas, os técnicos da Fazenda apresentam hoje ao centro de governo as simulações do impacto que cada índice representaria, combinado com o valor a ser oferecido como piso. Por ser o magistério a categoria mais numerosa do funcionalismo, 1% de reajuste significa R$ 40 milhões a mais por ano na folha de pagamento. Os 23% pleiteados pelo Cpers teriam um impacto de R$ 1 bilhão na folha, segundo o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian.
O presidente da Assembleia, Giovani Cherini, que atuou como mediador nas negociações do governo com os servidores da BM, sugeriu ontem um piso de R$ 1,3 mil, com 5% de reajuste agora e 5% em dezembro. Inicialmente, o governo pretendia dar apenas os R$ 1,5 mil como piso.
Como o tempo para a negociação está se esgotando, o magistério estará diante da situação em que ficaram os brigadianos: pegar ou largar. A oposição, que condicionou o acordo para a votação de outros projetos à apresentação de uma proposta para o magistério, também terá de escolher entre o pouco e nada.
Para dar o acordo que permitirá a votação do aumento dos subsídios do Ministério Público e do Judiciário, o PT também exigiu que sejam encaminhadas propostas de reajuste para os servidores das duas instituições. Nos arranjos de última hora, não estão previstos reajustes para o quadro-geral nem para os técnicos-científicos. O Piratini já avisou que esses terão de se contentar com o que receberam por conta da Lei Britto.
CISÃO NA FAZENDA
A guerra entre carreiras da Secretaria da Fazenda, motivada pela tentativa dos agentes fiscais de reformar a estrutura do órgão, tomou os corredores e galerias da Assembleia ontem. Enquanto os fiscais pressionavam os deputados a colocarem as propostas em votação nesta terça-feira, exibindo cartazes com a palavra “sim”, os técnicos do Tesouro faziam lobby para que a análise dos projetos fosse postergada mais uma vez.
Contrários às propostas, os técnicos reclamam de um impacto de R$ 92,3 milhões a mais nos cofres públicos por ano. Alegam que os projetos aumentam vantagens temporais e o valor das diárias e criam novos benefícios só para os agentes fiscais.
Defensores das propostas, os agentes negam a existência de impacto financeiro e afirmam que aspectos levantados pelos técnicos serão corrigidos por meio de emenda acertada com o Piratini e a base aliada.
Como se deram conta de que dificilmente haverá ambiente para um acordo que leve as propostas à votação queimando etapas, os fiscais pediram ao líder do governo, Adilson Troca (PSDB), que o Piratini solicite votação em regime de urgência, para que sejam apreciadas em 30 dias. O Piratini deve atender o pedido.
ALIÁS
Antes de votar projetos de aumentos salariais, os deputados deveriam saber qual é o tamanho da conta, mas até agora essa preocupação se restringe a poucos.
Fonte: Jornal Zero Hora - 24/03/2010 - Pág 10 - Rosane de Oliveira
ZH - 24.03.2010 - Pág 10 - Rosane de Oliveira: Pegar ou largar
24 de março de 2010 | N° 16284 PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA Pegar ou largar Não serão os 23% que o magistério queria, mas a pressão do Cpers funcionou: alguma coisa o governo vai oferecer hoje, além de um mínimo igual ou superior ao previsto na lei que instituiu o piso nacional para os professores. O percentual, que deve ficar em torno de 6% sobre o salário básico, virá acompanhado de um complemento para quem ganha abaixo do valor a ser fixado como piso. No conceito do governo, piso é a soma do que o professor recebe no contracheque e não o básico, como entende o Cpers. Para dar um reajuste linear sem estourar as contas, os técnicos da Fazenda apresentam hoje ao centro de governo as simulações do impacto que cada índice representaria, combinado com o valor a ser oferecido como piso. Por ser o magistério a categoria mais numerosa do funcionalismo, 1% de reajuste significa R$ 40 milhões a mais por ano na folha de pagamento. Os 23% pleiteados pelo Cpers teriam um impacto de R$ 1 bilhão na folha, segundo o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian. O presidente da Assembleia, Giovani Cherini, que atuou como mediador nas negociações do governo com os servidores da BM, sugeriu ontem um piso de R$ 1,3 mil, com 5% de reajuste agora e 5% em dezembro. Inicialmente, o governo pretendia dar apenas os R$ 1,5 mil como piso. Como o tempo para a negociação está se esgotando, o magistério estará diante da situação em que ficaram os brigadianos: pegar ou largar. A oposição, que condicionou o acordo para a votação de outros projetos à apresentação de uma proposta para o magistério, também terá de escolher entre o pouco e nada. Para dar o acordo que permitirá a votação do aumento dos subsídios do Ministério Público e do Judiciário, o PT também exigiu que sejam encaminhadas propostas de reajuste para os servidores das duas instituições. Nos arranjos de última hora, não estão previstos reajustes para o quadro-geral nem para os técnicos-científicos. O Piratini já avisou que esses terão de se contentar com o que receberam por conta da Lei Britto. CISÃO NA FAZENDA A guerra entre carreiras da Secretaria da Fazenda, motivada pela tentativa dos agentes fiscais de reformar a estrutura do órgão, tomou os corredores e galerias da Assembleia ontem. Enquanto os fiscais pressionavam os deputados a colocarem as propostas em votação nesta terça-feira, exibindo cartazes com a palavra “sim”, os técnicos do Tesouro faziam lobby para que a análise dos projetos fosse postergada mais uma vez. Contrários às propostas, os técnicos reclamam de um impacto de R$ 92,3 milhões a mais nos cofres públicos por ano. Alegam que os projetos aumentam vantagens temporais e o valor das diárias e criam novos benefícios só para os agentes fiscais. Defensores das propostas, os agentes negam a existência de impacto financeiro e afirmam que aspectos levantados pelos técnicos serão corrigidos por meio de emenda acertada com o Piratini e a base aliada. Como se deram conta de que dificilmente haverá ambiente para um acordo que leve as propostas à votação queimando etapas, os fiscais pediram ao líder do governo, Adilson Troca (PSDB), que o Piratini solicite votação em regime de urgência, para que sejam apreciadas em 30 dias. O Piratini deve atender o pedido. ALIÁS Antes de votar projetos de aumentos salariais, os deputados deveriam saber qual é o tamanho da conta, mas até agora essa preocupação se restringe a poucos. Fonte: Jornal Zero Hora - 24/03/2010 - Pág 10 - Rosane de Oliveira