19 de março de 2010 | N° 16279
ACORDO FECHADO
PMs terão reajuste em 2010
Negociação intermediada por deputados garantiu aumento salarial aceito ontem pelos brigadianos
Depois de cinco meses de negociações frustradas, uma derrota na Assembleia e um racha na Brigada Militar, o governo Yeda Crusius só venceu quando saiu de cena. Coordenada por deputados, uma negociação incomum enfim dobrou as associações de classe, assegurando ontem novos salários aos PMs.
Os brigadianos de nível médio cederam à proposta durante a manhã, quando uma tensa votação aprovou a oferta do Piratini. Foi a deixa para que, no final da tarde, Yeda entrasse em campo para, pessoalmente, protocolar o projeto de reajustes na Assembleia Legislativa.
– A liderança da Brigada não teria como se desculpar perante a própria categoria e a sociedade se recusasse um aumento desse porte – disse a governadora.
No dia 30, a proposta deve ser aprovada no parlamento – o prazo para conceder reajustes se esgota em 6 de abril, conforme manda a lei em ano eleitoral.
Foi esse prazo apertado um dos principais argumentos dos interlocutores da negociação: o líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), e o presidente do Legislativo, Giovani Cherini (PDT). Habituados ao corpo a corpo, os dois assumiram a ponta dos diálogos em fevereiro, após o secretário Mateus Bandeira (Planejamento) ser apontado por representantes da BM como inimigo número 1.
– O inimigo número 1 agora foi o tempo. Não tivemos escolha, mas os valores oferecidos estão muito aquém das necessidades do brigadiano. Não temos motivo para comemorar – avaliou o presidente da Associação dos Sargentos, Aparicio Santellano.
Um soldado recém ingresso na Brigada, a partir deste mês, passará a receber R$ 1.169, e não mais os R$ 1.007 atuais. Isso porque o Piratini garantirá na matriz salarial – lei que obriga o governo a destinar parte do ganho fiscal anual a reajustes – R$ 180 milhões, mesmo se o ano fechar sem superávit. No ano que vem, outros R$ 111 milhões estão assegurados.
Os oficiais receberão 19,9% de reajuste referente à Lei Britto, já paga aos demais servidores da Brigada. Uma parte do pagamento, retroativa a março de 2009, será feita em seis parcelas.
– Todos cederam em uma negociação histórica, em que a Assembleia teve a felicidade de intermediar – comemorou Cherini.
Interlocutores do governo também celebravam o resultado, afirmando que, além dos precatórios e do déficit zero, Yeda agora dispõe de uma poderosa bandeira para tentar a reeleição.
Fonte: Jornal Zero Hora - Política – 19/03/2010
ZH - 19.03.2010 - Política: PMs terão reajuste em 2010
19 de março de 2010 | N° 16279 ACORDO FECHADO PMs terão reajuste em 2010 Negociação intermediada por deputados garantiu aumento salarial aceito ontem pelos brigadianos Depois de cinco meses de negociações frustradas, uma derrota na Assembleia e um racha na Brigada Militar, o governo Yeda Crusius só venceu quando saiu de cena. Coordenada por deputados, uma negociação incomum enfim dobrou as associações de classe, assegurando ontem novos salários aos PMs. Os brigadianos de nível médio cederam à proposta durante a manhã, quando uma tensa votação aprovou a oferta do Piratini. Foi a deixa para que, no final da tarde, Yeda entrasse em campo para, pessoalmente, protocolar o projeto de reajustes na Assembleia Legislativa. – A liderança da Brigada não teria como se desculpar perante a própria categoria e a sociedade se recusasse um aumento desse porte – disse a governadora. No dia 30, a proposta deve ser aprovada no parlamento – o prazo para conceder reajustes se esgota em 6 de abril, conforme manda a lei em ano eleitoral. Foi esse prazo apertado um dos principais argumentos dos interlocutores da negociação: o líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), e o presidente do Legislativo, Giovani Cherini (PDT). Habituados ao corpo a corpo, os dois assumiram a ponta dos diálogos em fevereiro, após o secretário Mateus Bandeira (Planejamento) ser apontado por representantes da BM como inimigo número 1. – O inimigo número 1 agora foi o tempo. Não tivemos escolha, mas os valores oferecidos estão muito aquém das necessidades do brigadiano. Não temos motivo para comemorar – avaliou o presidente da Associação dos Sargentos, Aparicio Santellano. Um soldado recém ingresso na Brigada, a partir deste mês, passará a receber R$ 1.169, e não mais os R$ 1.007 atuais. Isso porque o Piratini garantirá na matriz salarial – lei que obriga o governo a destinar parte do ganho fiscal anual a reajustes – R$ 180 milhões, mesmo se o ano fechar sem superávit. No ano que vem, outros R$ 111 milhões estão assegurados. Os oficiais receberão 19,9% de reajuste referente à Lei Britto, já paga aos demais servidores da Brigada. Uma parte do pagamento, retroativa a março de 2009, será feita em seis parcelas. – Todos cederam em uma negociação histórica, em que a Assembleia teve a felicidade de intermediar – comemorou Cherini. Interlocutores do governo também celebravam o resultado, afirmando que, além dos precatórios e do déficit zero, Yeda agora dispõe de uma poderosa bandeira para tentar a reeleição. Fonte: Jornal Zero Hora - Política – 19/03/2010