Jornal Correio do Povo - Taline Oppitz
ANO 115 Nº 168 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2010
Primeiro passo
O governo negociou os pontos polêmicos e conseguiu aprovar por unanimidade no plenário da Assembleia o projeto que cria a carreira de analista de Planejamento. A proposta é a primeira no Estado a estabelecer a introdução da meritocracia no serviço público, isto é, o pagamento adicional pelo cumprimento de metas. O resultado foi comemorado pelo Piratini, que considera o projeto emblemático e uma espécie de piloto para as mudanças defendidas como necessárias na maquina pública gaúcha. A medida aprovada agora era um dos itens que integravam o chamado Plano para Valorização do Serviço Público Gaúcho, anunciado em novembro de 2009 pela governadora Yeda Crusius e cujos projetos acabaram retirados do Legislativo em dezembro, devido à resistência de sindicatos, como o Cpers.
Acordo ou nada
Com assembleia geral marcada para amanhã, os servidores de nível médio da Brigada Militar terão de optar pela manutenção das novas reivindicações, que pode representar zero de reajuste já que o governo garante que não irá mais ceder; ou pelo recuo, viabilizando a última proposta negociada. Apesar das declarações da governadora Yeda Crusius, de que não gostaria de passar sua gestão sem enviar projetos de aumento para a Brigada Militar à Assembleia, por enquanto a determinação no Executivo é encaminhar as matérias somente no caso de acordo.
Cobrança
Participando ativamente desde o início das negociações, o presidente da Assembleia, Giovani Cherini, teve uma conversa franca com representantes do nível médio da BM, que fizeram novas exigências quando o acordo estava prestes a ser fechado. Em reunião com a categoria e com o líder do governo, Adilson Troca, Cherini destacou o esforço do Legislativo e do Piratini, que cedeu várias vezes para viabilizar entendimento, e cobrou um desfecho para o impasse.
Aval e desgaste
Apesar de resistências, passaram na Comissão de Constituição e Justiça, por nove votos contra dois, os pareceres favoráveis aos projetos que reajustam os subsídios dos membros do Judiciário e do Ministério Público Estadual. As propostas ainda precisam de aval do plenário. Em meio ao impasse que se mantém com a Brigada Militar, parlamentares devem aprovar os projetos, mas estão preocupados com desgastes que podem acompanhar a decisão.
Apartes
Ibsen Pinheiro virou inimigo público número 1 no Rio de Janeiro após a aprovação da emenda de distribuição dos recursos do petróleo e dos royalties do pré-sal. Vereadores cariocas cassaram a medalha Pedro Ernesto, concedida em 1993 ao deputado, e a Assembleia prepara moção para declarar Ibsen persona non grata.
Com a ameaça de não dar acordo para mais nenhum projeto do Executivo, Heitor Schuch garantiu o consenso na reunião de líderes e o projeto de sua autoria, que antecipa a data-base do piso mínimo regional de 1 de maio para 1 de janeiro, deve ser votado na sessão de hoje.
Com o imbróglio trabalhista resolvido, o PMDB, que até agora estava praticamente centrado apenas nas articulações com o PDT, passará a dedicar atenção a outros possíveis parceiros para a disputa de outubro.
Leitores ligados à Brigada Militar que escrevem para a coluna afirmam que o impasse sobre os projetos envolve muito mais do que a questão salarial. O xis da questão estaria na luta de classes da corporação.
Fonte: Jornal Correio do Povo – 17/03/2010 – Coluna Taline Oppitz
CP - 17.03.2010 - Coluna Taline Oppitz - Funcionalismo e Meritocracia
Jornal Correio do Povo - Taline Oppitz ANO 115 Nº 168 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2010 Primeiro passo O governo negociou os pontos polêmicos e conseguiu aprovar por unanimidade no plenário da Assembleia o projeto que cria a carreira de analista de Planejamento. A proposta é a primeira no Estado a estabelecer a introdução da meritocracia no serviço público, isto é, o pagamento adicional pelo cumprimento de metas. O resultado foi comemorado pelo Piratini, que considera o projeto emblemático e uma espécie de piloto para as mudanças defendidas como necessárias na maquina pública gaúcha. A medida aprovada agora era um dos itens que integravam o chamado Plano para Valorização do Serviço Público Gaúcho, anunciado em novembro de 2009 pela governadora Yeda Crusius e cujos projetos acabaram retirados do Legislativo em dezembro, devido à resistência de sindicatos, como o Cpers. Acordo ou nada Com assembleia geral marcada para amanhã, os servidores de nível médio da Brigada Militar terão de optar pela manutenção das novas reivindicações, que pode representar zero de reajuste já que o governo garante que não irá mais ceder; ou pelo recuo, viabilizando a última proposta negociada. Apesar das declarações da governadora Yeda Crusius, de que não gostaria de passar sua gestão sem enviar projetos de aumento para a Brigada Militar à Assembleia, por enquanto a determinação no Executivo é encaminhar as matérias somente no caso de acordo. Cobrança Participando ativamente desde o início das negociações, o presidente da Assembleia, Giovani Cherini, teve uma conversa franca com representantes do nível médio da BM, que fizeram novas exigências quando o acordo estava prestes a ser fechado. Em reunião com a categoria e com o líder do governo, Adilson Troca, Cherini destacou o esforço do Legislativo e do Piratini, que cedeu várias vezes para viabilizar entendimento, e cobrou um desfecho para o impasse. Aval e desgaste Apesar de resistências, passaram na Comissão de Constituição e Justiça, por nove votos contra dois, os pareceres favoráveis aos projetos que reajustam os subsídios dos membros do Judiciário e do Ministério Público Estadual. As propostas ainda precisam de aval do plenário. Em meio ao impasse que se mantém com a Brigada Militar, parlamentares devem aprovar os projetos, mas estão preocupados com desgastes que podem acompanhar a decisão. Apartes Ibsen Pinheiro virou inimigo público número 1 no Rio de Janeiro após a aprovação da emenda de distribuição dos recursos do petróleo e dos royalties do pré-sal. Vereadores cariocas cassaram a medalha Pedro Ernesto, concedida em 1993 ao deputado, e a Assembleia prepara moção para declarar Ibsen persona non grata. Com a ameaça de não dar acordo para mais nenhum projeto do Executivo, Heitor Schuch garantiu o consenso na reunião de líderes e o projeto de sua autoria, que antecipa a data-base do piso mínimo regional de 1 de maio para 1 de janeiro, deve ser votado na sessão de hoje. Com o imbróglio trabalhista resolvido, o PMDB, que até agora estava praticamente centrado apenas nas articulações com o PDT, passará a dedicar atenção a outros possíveis parceiros para a disputa de outubro. Leitores ligados à Brigada Militar que escrevem para a coluna afirmam que o impasse sobre os projetos envolve muito mais do que a questão salarial. O xis da questão estaria na luta de classes da corporação. Fonte: Jornal Correio do Povo – 17/03/2010 – Coluna Taline Oppitz