Tornou-se hábito para os políticos e economistas oficiais transmitirem a idéia de que os ajustes econômicos que o Estado precisa realizar só podem ser feitos na ponta da despesa.
A idéia de que existe também o lado da receita, passa despercebido, formando-se um falso consenso de que o Estado arrecada muito e gasta mal.
É certo que o Estado gasta muito, principalmente porque adotou um sistema que afasta a profissionalização nos serviços públicos em favor dos critérios políticos, que tanto mal tem feito na administração pública.
No Brasil, a cada troca de governo, seja na Presidência da República, nos governos estaduais ou mesmo nas prefeituras, sai uma leva de funcionários e entra outra, principalmente nos cargos de direção e gerenciamento.
Em nenhum momento, durante os discursos feitos em nome da troca de gestão, se ouviu falar na tal de profissionalização dos serviços públicos. Ao contário, assistimos a um verdadeiro leilão em torno de cargos e chefias.
Certamente que tudo isso feito em nome da tal “aliança da governabilidade”, guarda-chuva utilizado de Brasília a Porto Alegre, passando por todos os recantos de país.
Aqui no Rio Grande do Sul, o Governo Yeda começou sob a marca do combate à crise, mas pelo lado do corte indiscriminado de gastos, que vieram a causar dificuldades insuperáveis em vários setores.
É interessante, porém que a sociedade saiba o custo total das folhas de pagamento previsto para este ano, sem nenhum reajuste, anda ao redor de oito bilhões e meio de reais.
Ora, todos sabem que o Governo do Estado renuncia a receitas, isenta setores e produtos, perdoa juros e ainda sofre com os fraudadores. O que não sabemos é a quanto monta tudo isso.
Mas a conta é redonda, redondinha. O custo destes benefícios e do descaso com a receita previsto para este ano é de oito bilhões e meio de reais.
Para se ter uma idéia, o Rio Grande do Sul é dos três estados em matéria de liderança na oferta dessas benesses, chegando ao redor de 36% do nosso Produto interno Bruto, enquanto Santa Catarina anda lá pelos 25%.
É claro que não pode fechar justo e abotoadinho se o Estado renuncia a um valor tal que possibilitaria oferecer serviços de primeiro mundo, como a sociedade gaúcha merece.
Aí encontramos a resposta para o arrocho salarial do funcionalismo estadual, do não pagamento dos precatórios, da falta de segurança, saúde, educação e tantos outros serviços que deixam a desejar.
Talvez pelo fato de o Governo saber que a FESSERGS tem conhecimento de tudo isso é que a Federação não foi chamada a debater nas tais Câmaras Setoriais, nem sobre salários, reforma do Estado, etc.
Talvez por isso, esse desprezo pela educação, pois todos sabem que informação é poder.
Sérgio Arnoud
Presidente
04 de junho de 2007.