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Hospital Psiquiátrico São Pedro: Desmonte na contramão da história

O desmonte do Hospital Psiquiátrico São Pedro, ora em curso, é um absurdo que a sociedade não pode assistir calada. Num momento em que se agudiza a crise do crack, onde se busca desesperadamente locais para tratamento desse mal, o Governo insiste na política da desativação do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Fundado em 13 de maio de 1874, o HPSP foi inaugurado somente dez anos depois, com a missão de cuidar do doente mental e de formar recursos humanos para essa finalidade. O atual Hospital Psiquiátrico São Pedro é referência para 88 municípios da região metropolitana, atendendo uma população de cerca de cinco milhões de pessoas. Hoje é um hospital de retaguarda e destina-se preferencialmente ao atendimento dos casos mais complexos e difíceis da rede de saúde mental, sendo também o único local onde existe atenção para crianças e adolescentes, recurso vital em tempos de epidemia de crack. O universo de pessoas atendidas pelo hospital gira entre 400 e 500 pacientes, sendo 150 destes, considerados pacientes agudos, internados na instituição em meio a tratamento com alta posterior, de acordo com a evolução de sua condição de saúde. Considerando-se que trabalhos científicos sobre o sistema prisional brasileiro indicam que pelo menos 12% da população carcerária possue patologia psiquiátrica grave, estatística esta que não computa os casos de drogadição e de transtorno de personalidade e que temos cerca de cinco mil presos, isto representa cerca de 600 doentes. Como nos presídios predominam usuários ou envolvidos com drogas, temos um total significativamente maior de pessoas necessitadas de tratamento adequado. Segundo o psiquiatra Dr Luiz Carlos Coronel, "o doente mental tratado é menos perigoso que qualquer cidadão comum, porém sem tratamento, em surto psicótico, torna-se de oito a dez vezes mais propenso a cometer atos violentos frente a outras pessoas sem os mesmos problemas". Por tudo isso, é impensável conceber que o Governo do Estado prossiga nessa política de desativação do Hospital Psiquiátrico São Pedro. A Fessergs apóia decididamente o movimento dos servidores, médicos e residentes que lutam pela manutenção do HPSP por considerar um retrocesso perigoso a sua desativação. Dessa forma alertamos: Insistir nesse sentido representa andar na contramão da história. Sérgio Arnoud Presidente da Fessergs
O desmonte do Hospital Psiquiátrico São Pedro, ora em curso, é um absurdo que a sociedade não pode assistir calada.

Num momento em que se agudiza a crise do crack, onde se busca desesperadamente locais para tratamento desse mal, o Governo insiste na política da desativação do Hospital Psiquiátrico São Pedro.

Fundado em 13 de maio de 1874, o HPSP foi inaugurado somente dez anos depois, com a missão de cuidar do doente mental e de formar recursos humanos para essa finalidade. O atual Hospital Psiquiátrico São Pedro é referência para 88 municípios da região metropolitana, atendendo uma população de cerca de cinco milhões de pessoas.

Hoje é um hospital de retaguarda e destina-se preferencialmente ao atendimento dos casos mais complexos e difíceis da rede de saúde mental, sendo também o único local onde existe atenção para crianças e adolescentes, recurso vital em tempos de epidemia de crack.

O universo de pessoas atendidas pelo hospital gira entre 400 e 500 pacientes, sendo 150 destes, considerados pacientes agudos, internados na instituição em meio a tratamento com alta posterior, de acordo com a evolução de sua condição de saúde.

Considerando-se que trabalhos científicos sobre o sistema prisional brasileiro indicam que pelo menos 12% da população carcerária possue patologia psiquiátrica grave, estatística esta que não computa os casos de drogadição e de transtorno de personalidade e que temos cerca de cinco mil presos, isto representa cerca de 600 doentes. Como nos presídios predominam usuários ou envolvidos com drogas, temos um total significativamente maior de pessoas necessitadas de tratamento adequado.

Segundo o psiquiatra Dr Luiz Carlos Coronel, "o doente mental tratado é menos perigoso que qualquer cidadão comum, porém sem tratamento, em surto psicótico, torna-se de oito a dez vezes mais propenso a cometer atos violentos frente a outras pessoas sem os mesmos problemas".

Por tudo isso, é impensável conceber que o Governo do Estado prossiga nessa política de desativação do Hospital Psiquiátrico São Pedro. A Fessergs apóia decididamente o movimento dos servidores, médicos e residentes que lutam pela manutenção do HPSP por considerar um retrocesso perigoso a sua desativação. Dessa forma alertamos: Insistir nesse sentido representa andar na contramão da história.

Sérgio Arnoud
Presidente da Fessergs