PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA
Na proposta apresentada ontem ao Cpers, o governo faz um malabarismo para oferecer reajuste de 10,91% no salário básico, aquele valor de referência sobre o qual incidem as vantagens de tempo de serviço e as gratificações. Aumenta o valor da parcela autônoma de R$ 42,90 para R$ 77,83 e, em seguida, incorpora 50% desse valor ao básico. A complicação da fórmula é decorrente da complexidade do plano de carreira do magistério. Se o governo incorporasse 100% da parcela autônoma ao básico, como querem os professores, implodiria com as finanças em consequência do efeito cascata.
Com essa proposta, o Rio Grande do Sul diminui a distância que o separa do piso nacional do magistério, mas manterá 12% dos professores ganhando menos do que o mínimo estabelecido para a categoria. Uma vergonha, considerando-se que o piso é de R$ 1.187 para uma jornada de 40 horas semanais. Mais vergonha ainda, porque são os próprios líderes do Cpers que não aceitam o pagamento de uma parcela complementar para que ninguém receba menos do que o piso.
Na oferta exposta ontem, o governo chegou a escrever: “Como mecanismo provisório de antecipação de valores, o governo reafirma a disposição de acrescentar ao salário básico e à parcela autônoma valores completivos, de forma que nenhum professor, já em 2011, receba menos que o valor nominal do piso (R$ 1.187). Esta proposta, no entanto, é rejeitada pelo Cpers”.
Em nome de um plano de carreira intocável, o Cpers não admite que o governo pague o piso em forma de complemento. Seus líderes preferem ver os colegas dos níveis inferiores ganhando abaixo do piso para não alterar a relação entre um nível e outro. Postura semelhante já havia sido adotada em 2009, quando Yeda Crusius ofereceu remuneração mínima de R$ 1,5 mil para os professores (somando básico, parcela autônoma e completivo) e o Cpers rejeitou porque não aumentava o salários da maioria que está nos níveis mais altos da carreira.
Ou seja: a parcela mais miserável do magistério continuará ganhando menos porque seu sindicato é inflexível.
Fonte: Jornal Zero Hora - 25/03/2011
ZH - 25/03/2011: Escravos do plano de carreira
PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA Na proposta apresentada ontem ao Cpers, o governo faz um malabarismo para oferecer reajuste de 10,91% no salário básico, aquele valor de referência sobre o qual incidem as vantagens de tempo de serviço e as gratificações. Aumenta o valor da parcela autônoma de R$ 42,90 para R$ 77,83 e, em seguida, incorpora 50% desse valor ao básico. A complicação da fórmula é decorrente da complexidade do plano de carreira do magistério. Se o governo incorporasse 100% da parcela autônoma ao básico, como querem os professores, implodiria com as finanças em consequência do efeito cascata. Com essa proposta, o Rio Grande do Sul diminui a distância que o separa do piso nacional do magistério, mas manterá 12% dos professores ganhando menos do que o mínimo estabelecido para a categoria. Uma vergonha, considerando-se que o piso é de R$ 1.187 para uma jornada de 40 horas semanais. Mais vergonha ainda, porque são os próprios líderes do Cpers que não aceitam o pagamento de uma parcela complementar para que ninguém receba menos do que o piso. Na oferta exposta ontem, o governo chegou a escrever: “Como mecanismo provisório de antecipação de valores, o governo reafirma a disposição de acrescentar ao salário básico e à parcela autônoma valores completivos, de forma que nenhum professor, já em 2011, receba menos que o valor nominal do piso (R$ 1.187). Esta proposta, no entanto, é rejeitada pelo Cpers”. Em nome de um plano de carreira intocável, o Cpers não admite que o governo pague o piso em forma de complemento. Seus líderes preferem ver os colegas dos níveis inferiores ganhando abaixo do piso para não alterar a relação entre um nível e outro. Postura semelhante já havia sido adotada em 2009, quando Yeda Crusius ofereceu remuneração mínima de R$ 1,5 mil para os professores (somando básico, parcela autônoma e completivo) e o Cpers rejeitou porque não aumentava o salários da maioria que está nos níveis mais altos da carreira. Ou seja: a parcela mais miserável do magistério continuará ganhando menos porque seu sindicato é inflexível. Fonte: Jornal Zero Hora - 25/03/2011