Proposta modesta
Como havia sido antecipado pela repórter Vivian Eichler, ficou mesmo abaixo de 10% sobre o salário básico a proposta de reajuste do magistério, apresentada ontem à noite à direção do Cpers pelos interlocutores do governador Tarso Genro.
A novidade é o pagamento de um abono para que ninguém receba menos do que o piso nacional. Isso significa que, se a proposta for aprovada, nenhum professor receberá menos de R$ 772,29 por 20 horas de trabalho, considerando-se o básico (R$ 386,93), o abono (R$ 207,05 no nível 1, classe A) e a gratificação de unidocência (R$ 178,31), paga a todos os 2.755 professores dos níveis 1 e 2.
Na interpretação do governo, com essa proposta todos os professores do Rio Grande do Sul terão assegurado no contracheque o piso de R$ 1.187 por 40 horas, definido pelo MEC como o mínimo dos professores para este ano. O Cpers não considera essa oferta como o cumprimento do pagamento do piso. O sindicato trabalha com o conceito de que piso deve ser o básico sobre o qual incidem as gratificações e não a soma das parcelas que o professor recebe.
Na proposta apresentada ao Cpers, o governo se compromete a não implantar a meritocracia e a não mexer no plano de carreira, considerado por analistas de finanças públicas e por membros do próprio governo como um impeditivo da concessão de aumentos maiores no salário inicial, pelo excessivo número de níveis e classes. O efeito multiplicador do aumento do básico nos salários dos professores que estão nos níveis 5 e 6, e que somam 80% da categoria, entre ativos e inativos, dificulta a elevação da remuneração inicial.
Ontem, na Federasul, antes de apresentar a proposta aos professores, o governador Tarso Genro reconheceu que a oferta era modesta, mas disse que devia ser entendida como um sinal de de que o governo começa a se mover em direção ao piso.
!
O governo teve bom senso e recuou na intenção de reduzir o valor das RPVs, que provocaria desgaste na relação com o magistério, teria repercussão mínima nas finanças públicas e só valeria para futuras ações.
ALIÁS
O salário inicial baixo é o principal responsável pelo desinteresse dos jovens em seguir a carreira de professor.
Metáfora do Titanic
Para explicar por que não pretende adotar medidas drásticas para resolver o déficit estrutural do Estado, Tarso Genro usou ontem na Federasul uma metáfora usada pelo ex-presidente Lula quando estava no governo:
– O Titanic tem que fazer a volta devagar, para não afundar.
Em livre interpretação, significa que não serão apresentadas propostas radicais, que deixem o Estado em pé de guerra. Tudo será fruto da “concertação” no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e da negociação com os servidores.
Fonte: Jornal Zero Hora - Coluna Rosane de Oliveira - 17/03/2011
ZH - 17/03/2011: Coluna Rosane de Oliveira
Proposta modesta Como havia sido antecipado pela repórter Vivian Eichler, ficou mesmo abaixo de 10% sobre o salário básico a proposta de reajuste do magistério, apresentada ontem à noite à direção do Cpers pelos interlocutores do governador Tarso Genro. A novidade é o pagamento de um abono para que ninguém receba menos do que o piso nacional. Isso significa que, se a proposta for aprovada, nenhum professor receberá menos de R$ 772,29 por 20 horas de trabalho, considerando-se o básico (R$ 386,93), o abono (R$ 207,05 no nível 1, classe A) e a gratificação de unidocência (R$ 178,31), paga a todos os 2.755 professores dos níveis 1 e 2. Na interpretação do governo, com essa proposta todos os professores do Rio Grande do Sul terão assegurado no contracheque o piso de R$ 1.187 por 40 horas, definido pelo MEC como o mínimo dos professores para este ano. O Cpers não considera essa oferta como o cumprimento do pagamento do piso. O sindicato trabalha com o conceito de que piso deve ser o básico sobre o qual incidem as gratificações e não a soma das parcelas que o professor recebe. Na proposta apresentada ao Cpers, o governo se compromete a não implantar a meritocracia e a não mexer no plano de carreira, considerado por analistas de finanças públicas e por membros do próprio governo como um impeditivo da concessão de aumentos maiores no salário inicial, pelo excessivo número de níveis e classes. O efeito multiplicador do aumento do básico nos salários dos professores que estão nos níveis 5 e 6, e que somam 80% da categoria, entre ativos e inativos, dificulta a elevação da remuneração inicial. Ontem, na Federasul, antes de apresentar a proposta aos professores, o governador Tarso Genro reconheceu que a oferta era modesta, mas disse que devia ser entendida como um sinal de de que o governo começa a se mover em direção ao piso. ! O governo teve bom senso e recuou na intenção de reduzir o valor das RPVs, que provocaria desgaste na relação com o magistério, teria repercussão mínima nas finanças públicas e só valeria para futuras ações. ALIÁS O salário inicial baixo é o principal responsável pelo desinteresse dos jovens em seguir a carreira de professor. Metáfora do Titanic Para explicar por que não pretende adotar medidas drásticas para resolver o déficit estrutural do Estado, Tarso Genro usou ontem na Federasul uma metáfora usada pelo ex-presidente Lula quando estava no governo: – O Titanic tem que fazer a volta devagar, para não afundar. Em livre interpretação, significa que não serão apresentadas propostas radicais, que deixem o Estado em pé de guerra. Tudo será fruto da “concertação” no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e da negociação com os servidores. Fonte: Jornal Zero Hora - Coluna Rosane de Oliveira - 17/03/2011